Buraco negro engole estrela gigante e libera o flare mais poderoso já registrado

por Rodrigo Pontes | 8 de novembro de 2025

Representação artística do flare gerado por um buraco negro que engole uma estrela
Representação artística — efeito ilustrativo

Em 2018, um raro evento celeste chamou a atenção dos astrônomos: um buraco negro supermassivo devorou uma estrela gigante, produzindo um flare — um surto extremo de brilho — cujo poder energético superou todos os já observados desse tipo.

O fenômeno não apenas iluminou o centro de uma galáxia distante, como também forneceu pistas valiosas sobre o comportamento da matéria sob condições extremas, nas vizinhanças de um dos objetos mais enigmáticos do Universo.

O que os telescópios encontraram?

Observatórios automáticos, que monitoram continuamente o céu, registraram um aumento abrupto de luminosidade no núcleo de uma galáxia localizada a bilhões de anos-luz da Terra.

A análise indicou uma ruptura de maré estelar, evento em que a gravidade do buraco negro dilacera uma estrela que se aproxima demais. Parte do material é absorvida, enquanto o restante é arremessado em altíssimas velocidades, aquecendo-se a milhões de graus.

Em termos simples: é como um aspirador cósmico sugando uma nuvem de plasma. O resultado é um espetáculo luminoso que pode durar meses e ser observado em várias faixas do espectro eletromagnético.

Por que este flare surpreende a ciência?

O evento foi classificado como o mais energético já registrado, superando previsões dos modelos teóricos existentes. Isso levantou questões fundamentais sobre:

  • A massa original da estrela destruída;
  • A quantidade de material efetivamente absorvida pelo buraco negro;
  • A frequência desses eventos ao longo da história cósmica.

Esses flares funcionam como verdadeiros laboratórios naturais, permitindo testar teorias sobre gravidade extrema, discos de acreção e a evolução de galáxias inteiras.

Como os cientistas chegaram a essa conclusão?

A conclusão veio da combinação de dados observacionais em diferentes comprimentos de onda, análises espectrais detalhadas e simulações computacionais avançadas.

A curva de luz e a presença de elementos pesados indicaram que apenas a destruição parcial de uma estrela gigante poderia explicar todas as características observadas. Outras hipóteses não se sustentaram diante do conjunto de evidências.

O que ainda é mistério?

Apesar dos avanços, várias perguntas permanecem em aberto:

  • Qual foi a trajetória exata da estrela antes de ser destruída?
  • Quanto de sua massa foi realmente absorvida?
  • Houve emissão de jatos relativísticos não detectados?
  • Que impacto esse evento teve na galáxia hospedeira?

Cada novo evento como esse ajuda a montar o quebra-cabeça da evolução cósmica. Um simples ponto brilhante no céu pode, literalmente, reescrever livros de astrofísica.

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